A fotografia como ferramenta de empoderamento

A palavra empoderamento está na moda. De discurso politizado a tutoriais de blogueiras, a palavra caiu na graça de quem quer usá-la para vender uma suposta verdade. Assim como outros conceitos que estouraram graças à internet, nunca se falou tanto sobre esse verbete – mesmo que quase ninguém saiba explicar, de forma clara, o que é, afinal, o tal empoderamento.

Segundo os dicionários, o termo conceitua o ato ou efeito de promover conscientização e tomada de poder de influência de uma pessoa ou grupo social, geralmente para realizar mudanças de ordem social, política, econômica e cultural no contexto que lhe afeta. A palavra é um neologismo, trazido pelo educador Paulo Freire, do inglês “empowerment”. Em resumo: empoderar é “dar poder” a alguém (ou a um grupo) para que ele tome suas decisões conscientemente, sem depender de alguém, e possa conhecer e reivindicar seus direitos.

Existem várias formas de empoderar alguém: por meio da educação, através da desconstrução de conceitos, promovendo o lugar de fala a quem merece etc. Num mundo cada vez mais imagético, a fotografia é um dos principais meios para dar poder a um grupo que precisa.

Mais que isso: a fotografia como recorte da realidade é uma arma poderosa para mostrar a todos, sem filtros ou editorias, o que o noticiário e a publicidade omitem. Com um celular na mão, passamos de meros expectadores a produtores de conteúdo. É um salto gigantesco, comparável apenas à invenção da imprensa por Gutenberg, no século XV, que tirou dos copistas o poder exclusivo da escrita.

Por tudo isso, sempre que posta uma foto do seu smartphone, você está contando uma história do seu ponto de vista. Quando imprime uma imagem, constrói um álbum, emoldura um retrato, você está registrando para todos um pedacinho da sua existência na terra. Talvez você não vá mudar o mundo com isso, mas o seu mundo não será o mesmo depois de saber o poder que você tem em mãos com a fotografia.